“Ébano”, Ryszard Kapuscinski

Sinopsis:
“Vivi alguns anos em África. À primeira vez que lá fui foi em 1957. Nos quarenta anos seguintes aproveitei todas as oportunidades para lá voltar. Viajei muito. Evitei rotas oficiais, palácios, personalidades ilustres e a grande política. Preferi viajar em camiões que encontrei por acaso, acompanhar nómadas pelo deserto, ou ser hóspede de uma família de agricultores da savana tropical. A sua vida é um trabalho árduo, uma luta constante, que eles aceitam com uma resignação e um ânimo extraordinários.
Este não é um livro sobre a África, mas sim sobre algumas pessoas de lá, sobre os encontros que tive com elas, o tempo que passámos juntos. É um continente demasiado grande para poder ser descrito. É um verdadeiro oceano, um planeta independente, um cosmos variado e rico. É apenas por uma questão de simplicidade e de comodidade que falamos de África. De facto, essa África não existe sequer, a não ser como conceito geográfico. (do Autor)”

Comentarios:
De lectura imprescindible para cualquier apasionado por África.

Frases:
Na vida não se pode alcançar tudo, senão… o que seria dos outros?
Zangas de namorados são amores redobrados
O facto de ter um objectivo fixo pode também limitar-lhe os horizontes: passa a ver apenas essa meta que tem à frente, ignorando tudo o resto. E este resto, este “mais além”, este “mais profundo” pode ser muito mais interessante e relevante
Detesto as pessoas que vêm para África e vivem na “Pequena Europa” ou na “Pequena América” (isto é, em hotéis de luxo), e depois voltam às suas terras gabando-se de terem vivido em África, que na realidade nunca chegaram a conhecer
É óbvio que o Governo podia ter decidido intervir e o resto do mundo também o podia ter feito, mas o Governo não quis, por uma questão de prestígio, admitir que havia fome no país e recusou qualquer ajuda. Nessa altura morreram em Etiópia um milhão de pessoas
Este é um mundo paranóico e obsessivo de preconceitos e sentimentos de ódio e ressentimentos étnicos – o racismo e o chauvinismo não existem apenas entre indivíduos de cor diferente, entre negros e brancos; muitas vezes a fúria racista é ainda mais determinada, nítida e implacável dentro de una mesma raça, entre pessoas da mesma cor de pele. A maioria dos negros deste século [XX] morreu também às mãos de outros negros e não de brancos
Em África, há anos que crianças matam outras crianças. As guerras neste continente são na realidade guerras de crianças
Para a maioria das pessoas que lá vivem [Ruanda], o mundo real termina na soleira da sua porta, no limite da sua aldeia, na melhor das hipóteses na fronteira do seu vale. O mundo que fica para além disso parece-lhes irreal, sem importância e desnecessário, enquanto o pequeno mundo em que vivem assume proporções de cosmos, gigantesco e ofuscante. Muitas vezes é dificil para o indígena e o forasteiro encontrar uma linguagem comum, porque cada um utiliza uma lente diferente ao contemplar o mesmo panorama
A vida só é possível entre pessoas boas
Se nos acontece alguma coisa de mal, a razão de ser dessa desgraça não está em nós, mas alhures, para lá dos limites da nossa própria comunidade, longe, muito longe, junto dos outros”
“São pessoas fracas, mal alimentadas e com poucas energias. Se alguém se atirasse ao trabalho com todas as suas forças e de modo activo e enérgico, ficaria ainda mais fraco e rapidamente exausto, tornando-se mais vulneráveis às doenças como a malária, a tuberculose, e centenas de outras doenças tropicais perigosas, das quais metade é mortal
Um dos problemas da África: os intelectuais africanos vivem, na sua maioria, longe de África, nos EUA, em Londres, em Paris. Nos seus países ficaram, das camadas mais baixas, os camponeses mais apáticos e introvertidos, espremidos até à última gota de sangue e, das camadas mais altas, uma burocracia corrupta ou uma soldadesca arrogante. Como é que a África se pode desenvolver sem intelectuais, como é que pode participar nas grandes transformações do mundo sem a camada média de intelectuais?
É extremamente importante fomentar o desenvolvimento regional em África


De mi anterior blog “Leituras & Lecturas” ya desactivado.

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